terça-feira, 1 de novembro de 2016

DA AUTORA E DE CAMBRES

São flores

Uma rosa sinuosa
Formosa que ela é
Um espinho que nela existe
Esse espinho de saudade
Que pica, dói e aperta
Prolonga o sofrimento
Apesar daquelas pétalas
Da cor da sensação
Do momento desejado

Um malmequer, bem-me-quer
Com carinho se desfolha
Se desprende do seu corpo
Com ternura e afeto
Que acena, adoça e dá
Prolonga o sentimento
Apesar de no final
Ajudar a refazer
O que de mal ou bem há
Um lírio enraivecido
Com sentimento de dor
Um carinho escondido
Em pétalas definido
Que suplica, envelhece e vai
Prolonga o entusiasmo
Apesar do seu sentido
Pobre, doce e libertado
Do caminho percorrido

São flores
Que nos dão vida
Que nos encantam
E que matam os desejos


Lucília Monteiro

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