“Assim,
na América, quando o sol se põe, eu me sento no velho e arruinado cais do rio
olhando os longos, longos céus acima de Nova Jersey, e consigo sentir toda
aquela terra crua e rude se derramando numa única, inacreditável e elevada
vastidão, até a costa oeste, e a estrada seguindo em frente, todas as pessoas
sonhando naquela imensidão, e em Iowa eu sei que agora as crianças devem estar
chorando na terra onde deixam as crianças chorar, e você não sabe que Deus é a
Ursa Maior? A estrela do entardecer deve estar morrendo e irradiando sua pálida
cintilância sobre a pradaria, reluzindo pela última vez antes da chegada da
noite completa, que abençoa a terra, escurece todos os rios, recobre os picos e
oculta a última praia, e ninguém, ninguém sabe o que vai acontecer a qualquer
pessoa, além dos desamparados andrajos da velhice.”
Excerto do livro – Carta a D. – André Gorz
A vida deixara sempre o imaginar por explorar. Uma praia, as estrelas...deixam em nós um sentimento de completa impotência. A descoberta é sempre a verdadeira procura.
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